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A Fantasia do Carnaval
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A Fantasia do Carnaval
Mauricio Bernardes
Publicação: 05/02/2010
"O Senhor Jesus nos oferece aquilo que o carnaval só pode prometer".

É nas metáforas de cada cultura que podemos encontrar a essência de um povo. Quando pensamos na precisão, disciplina e organização do povo britânico, por exemplo, entendemos com naturalidade porque o seu ícone cultural é o Big Ben. O mundo acerta a sua hora no relógio da Inglaterra.

Já a metáfora nacional do Brasil não está num relógio e, sim, na maior festa do mundo, o Carnaval. Este símbolo materializa em suas músicas, danças e fantasias um pouco do mistério de quem somos como brasileiros e, ao mesmo tempo, provoca uma erupção de imagens, idéias, sonhos, crenças e convicções que se fundem para formar uma parte crucial de nossa identidade nacional. “A cultura é uma linda obra de arte que usa seu povo como tela”, resume Erwin McManus.

A formação de uma cultura é algo natural e espiritual. No caso do carnaval, vemos claramente o genes da religião em sua composição. Há vários séculos atrás, os Católicos da Itália começaram a tradição de promover uma grande festa à fantasia no primeiro dia antes da Quaresma. Como os Católicos devem evitar comer carne durante esse tempo, esta festa foi chamada de carnevale, ou “deixar a carne de lado”. À medida que o tempo foi passando, o festival italiano foi ficando bastante popular nos países vizinhos como França, Espanha, Portugal e demais países Católicos da Europa. Então, quando esses países começaram a assumir o controle das Américas eles trouxeram consigo a tradição de se comemorar o carnaval.

No Brasil, a tradição carnavalesca sofreu fortes influências da cultura africana, aqui presente em virtude dos escravos. Assim, ao invés de ser um simples baile à fantasia, o carnaval no Brasil foi se transformando nisso que temos hoje. As antigas tradições africanas de se rodear vilarejos em procissão para trazer prosperidade, curar doenças e apaziguar parentes mortos enfurecidos gerou o desfile de rua de carnaval. Na tradição de se usar objetos naturais como ossos, vegetação, miçangas, tecidos e conchas na confecção de esculturas, máscaras e vestimentas, surgiram as fantasias como as que vemos hoje. As penas são freqüentemente usadas pelos africanos em sua terra natal montadas em máscaras e em acessórios de cabeça como símbolo de nossa habilidade como humanos de flutuarmos por sobre nossos problemas, doenças, decepções, e crises, para sairmos de uma situação desconfortável e irmos para uma terra melhor. Hoje, vemos que as penas são parte fundamental da maioria das fantasias de carnaval. A tradição musical da África dita em detalhes o uso da percussão, da dança, do uso de grandes bonecos, e até mesmo de movimentos corporais de caça e de guerra.

Além desses elementos culturais herdados, o carnaval do Brasil encontrou formas bem originais de expressar a alma de seu povo. A alegria desenfreada que se espalha por todo o país, a liberdade de se andar semi-nu (ou nu) e copular com qualquer pessoa, a anonimidade proporcionada pelas fantasias que gera a esperança de impunidade, a igualdade entre classes sociais que dançam no mesmo bloco e se vestem da mesma maneira, a superação de diferenças raciais no momento de se sambar, enfim, todas estas são marcas bem brasileiras no Carnaval que revelam necessidades frustradas por governos e projetos desde 1641, início do Carnaval no Brasil.

Assim, no carnaval encontramos um esboço do que nós como Brasileiros (e ao mesmo tempo seres espirituais) mais ansiamos na vida: felicidade, igualdade, liberdade, perdão, e força espiritual. O grande perigo, no entanto, está em acreditar que tais valores podem ser fabricados num evento passageiro e, ainda assim, serem genuínos e satisfatórios para a vida. É claro que não serão. E grandes esforços têm sido feito para corrigir este problema: estender a festa de 4 dias para 1 ou 2 semanas, hiper-valorizar o prazer sensual, amortecer a razão (e a emoção) com grandes quantidades de álcool, etc... Mesmo assim, todos estes esforços têm se mostrado inúteis no médio e longo prazo.

É seguro dizer que o carnaval se tornou atraente à maioria dos brasileiros porque ele apela às necessidades emocionais e espirituais que passamos a ter ao nascer como herdeiros do pecado de Adão. Porém, nesse sentido o carnaval passa a representar a grande distância que estamos dispostos a correr para não termos que lidar com Deus. Tentaremos de tudo, até mesmo negociaremos e nos contentaremos com menos. Desde que não tenhamos que ir até Deus.

Essa expectativa de condenação e desejo de fuga estava presente no Jardim do Éden quando Adão e Eva desobedeceram a Deus (Gênesis 3). Portanto, um senso de inadequação com Deus é algo que passou a ser da natureza humana (Romanos 1 a 3). Mas, a boa notícia é que Jesus Cristo foi punido em nosso lugar. Ele se fez pecado por nós (Isaías 53)! E, se confiarmos na promessa de Deus de reconciliar o mundo consigo mesmo através de Cristo na cruz do Calvário, veremos que a porta desta cela onde estamos se encontra aberta (Romanos 5 a 8). E lá, do lado de fora, estará Jesus de braços abertos dizendo através de Sua igreja: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30).

Jesus nos oferece aquilo que o carnaval só pode prometer. Basta pararmos de fugir para descobrirmos isso de maneira prática e maravilhosa! Que tal agora?

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