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A Função da Lei de Deus
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A Função da Lei de Deus
Watchman Nee : Livro: O Evangelho de Deus
Publicação: 10/12/2009
Funciona como um termômetro

Compreendemos que a posição do homem diante de Deus é a de um pecador. Agora, consideremos por que Deus estabeleceu a lei. Uma vez compreendida a lei, seremos capazes de compreender a obra de Deus.

Deus sempre soube da condição do homem, mas o homem conhece sua própria condição? Uma vez que o pecado foi manifestado diante de Deus, ele também deve ter sido sentido na consciência do homem. Todavia, a consciência do homem está apercebida do pecado? Infelizmente, não. Porque o homem não percebe o pecado, precisamos do operar da lei. Neste livro vamos estudar este assunto.

Que é a lei? A lei nada mais é do que a exigência de Deus para que o homem trabalhe para Ele. Em Romanos, Efésios e Gálatas, o apóstolo Paulo mostra repetidamente que o homem é salvo pela graça, não pela lei. Em outras palavras, o homem é salvo porque Deus trabalha para o homem, não porque o homem trabalha para Deus. Lei, conforme aplico aqui, refere-se a um princípio, isto é, o princípio de o homem trabalhar para Deus. Veremos se a nossa salvação depende ou não de fazermos algo para Deus.

Que, então, é a lei? Na Bíblia, a lei sempre se refere à lei de Moisés, a lei no Velho Testamento. Porém, se não houver o artigo definido antes de lei, esta refere-se à exigência que Deus faz ao homem.

Ela também significa as condições para a comunhão entre Deus e o homem. A condição para a comunhão entre Deus e o homem é a exigência que Deus faz ao homem, o que Deus quer que o homem faça para Ele, execute para Ele.

Portanto, é impossível que o homem satisfaça a exigência de Deus pôr meio da justiça da lei. Não somente temos nossa conduta exterior, mas também temos a concupiscência em nosso corpo, mas também temos a vontade em nossa alma. Você pode ser capaz de lidar com sua conduta, mas a concupiscência despertando dentro de você, mesmo que não consiga produzir uma conduta exterior pecaminosa, existe em você e provoca-o o tempo todo. E, mesmo que você odeie sua lascívia e dê o melhor de si para tratar com ela, a sua vontade é totalmente incompatível com a de Deus. Por um lado, a cruz significa o amor de Deus; mas por outro, significa o pecado do homem. A cruz significa o grande amor que Deus tem ao tratar com o homem; mas ela também significa o tremendo ódio que o homem tem de Deus. O Senhor Jesus foi crucificado não apenas pelos judeus, mas também pelos gentios.

A primeira coisa que devemos ver é que a lei não era de nenhum modo o pensamento original de Deus. A lei foi acrescentada posteriormente; ela foi introduzida para satisfazer a certas necessidades urgentes. Ela foi produzida para cuidar de coisas que entraram ao longo do percurso. A lei não estava no pensamento original de Deus; a graça estava. Em 2Timóteo 1:9-10 é dito: “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e manifestada agora pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e imortalidade, mediante o evangelho”. Paulo diz que esta graça foi-nos dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos. Antes dos tempos eternos, antes de o homem pecar, e até mesmo antes da criação do mundo, Deus já havia tomado a decisão de dar-nos Sua graça por meio de Cristo Jesus. Portanto, a graça era o pensamento original de Deus. Era algo que Deus planejou desde o início de tudo.

Por que Deus quis dar-nos a graça? Ele desejou salvar-nos e chamar-nos com santo chamamento segundo o Seu propósito, segundo o que Ele planeja fazer. Aqui Paulo foi muito cuidadoso; ele acrescentou uma frase para mostrar-nos se a lei está ou não de acordo com o propósito de Deus. Ele diz: “Não segundo as nossas obras”. A salvação de Deus não é de acordo com o quanto podemos fazer por Deus; não é segundo o quanto de responsabilidade podemos assumir diante Dele. Pelo contrário, é Deus vindo cumprir algo por nós, e é Deus dando-nos Sua graça. Esta graça sempre esteve relacionada ao Seu plano. Assim lembremo-nos de que antes dos tempos eternos, o pensamento de Deus era a graça, não as obras nem a lei.

Paulo continua: “Que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e manifestada agora pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus”. Esta graça não havia sido manifestada até agora. Portanto, vejam que embora esta graça estivesse planejada há muito tempo, foi somente quando o Senhor Jesus veio que conhecemos o que a graça realmente era. Que esta graça faz pôr nós? Prossigamos lendo: “O qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho”. Quando o Senhor Jesus foi manifestado, Ele aboliu as obras bem como o resultado das obras. O resultado de obras más é a morte. Mesmo que você tenha feito as piores obras, o máximo que a lei pode fazer é exigir a sua morte. Após sua morte, a lei nada mais pode fazer.

Como Deus fez Sua aliança com o homem? O versículo seguinte diz: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente”. Deus fez aliança com Abraão pôr meio de promessas porque dizia respeito ao futuro. O que já está realizado é graça; o que ainda não foi cumprido somente pode ser uma promessa. Porque o Senhor Jesus ainda não tinha vindo, não podemos dizer que a aliança de Deus com Abraão era graça. Sua natureza era sem dúvida graça, mas pôr não ter sido manifestada, ainda era uma promessa. Essa promessa foi dada a Abraão e ao seu descendente. Paulo diz: “Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo” (v.16). O descendente é singular, não plural; é um: Cristo. Deus prometeu a Abraão que este geraria a Cristo e que pôr meio de Cristo as nações seriam abençoadas. O v. 14 diz: “Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos pela fé o Espírito prometido”. Essa é a aliança que Deus firmou com Abraão.

Você poderia perguntar: Uma vez que Deus quer abençoar as nações pôr meio de Cristo Jesus, pôr que Ele deu a lei ao homem quatrocentos e trinta anos mais tarde? Se uma vez que a aliança que Deus firmou com Abraão não podia ser anulada nem acrescentada, por que o Senhor Jesus não veio simplesmente para dar-nos graça? Por que o problema da lei interveio? Você deve ver o argumento que Paulo estava usando aqui. Paulo estava explicando aqui porque após quatrocentos e trinta anos, a lei veio. O v.17 diz: “E digo isto: Uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode abrogar, de forma que venha a desfazer a promessa”. Embora Deus tenha dado a lei ao homem, a aliança que ele fez quatrocentos e trinta anos antes não podia ser desfeita. Deus não podia cancelar a aliança anteriormente feita após uma consideração adicional quatrocentos e trinta anos mais tarde. A lei é algo absolutamente contraditório à promessa e à graça. Que é promessa? É algo dado a alguém gratuitamente. Embora ele ainda não a tenha, ele definitivamente a terá mais tarde. Porém, que é a lei? A lei implica que alguém tenha de fazer isso ou aquilo para obter algo. Você pode ver que essas duas coisas são totalmente opostas. A promessa implica que Deus fará algo para o homem; a lei implica que o homem fará algo para Deus.

O v.18 diz: “Porque, se a herança provém de lei, já não de corre de promessa”. Se o que era para ser dado é de acordo com o princípio da lei, não pode ser de acordo com o princípio da promessa. Essas duas coisas são completamente opostas.

O v.19 diz: “Qual, pois, a razão de ser da lei? Agora surge o problema. É um problema muito difícil de resolver. A lei e a promessa são basicamente contraditórias em suas naturezas. Se você tem a lei, não pode ser a promessa; se você tem a promessa, não pode ter a lei. Essas duas questões não podem ficar juntas. Mas agora há a lei e também há a promessa. Deus deu a promessa, e, então, quatrocentos e trinta anos mais tarde Ele deu a lei. Que faremos? Se a aliança feita pôr Deus não podia ser mudada nem pôr subtrair algo dela, nem pôr adicionar algo a ela, por que então a lei foi dada? Uma vez que uma aliança não pode ser alterada, uma promessa sempre será uma promessa, e graça sempre será graça, por que, então, há necessidade da lei?

No v.19 Paulo dá-nos a razão: “Foi adicionada pôr causa das transgressões”. Que significa adicionar algo? Recentemente fui a certo lugar trabalhar. Durante minha estada ali, certa noite fui com alguns irmãos a um restaurante para jantar. Por não termos uma casa ali, fomos a um restaurante e pedimos uma refeição de cinco pratos, que foram comidos muito rapidamente; e assim pedimos ao garçom que adicionasse um prato a mais. A adição de outro prato não era nossa intenção original; ele foi adicionado para suprir uma necessidade imediata. De modo semelhante, Paulo disse que a lei foi adicionada. Na verdade, Deus não tem de nos dar a lei, e tampouco Ele precisava dá-la aos judeus. Deus deu a lei aos judeus porque queria mostrar ao mundo, por meio dos judeus, que ele dera a lei por causa das transgressões.

Porque a lei foi adicionada por causa das transgressões? Vejamos agora a última parte do versículo 15 em Romanos 4: “Mas onde não há lei, também não há transgressão”. Vejamos também Romanos 5:20: “Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa”. O propósito da lei é fazer com que a ofensa abunde. Que significa isso? O pecado entrou no mundo pelo homem; portanto, o pecado está no mundo. A morte veio a partir do pecado e começou a reinar. Da época de A dão à época de Moisés, o pecado estava no mundo. Mas como podemos provar isso? Isso é evidenciado pela morte estar presente no mundo. Se não houvesse pecado de Adão até Moisés, o homem não teria morrido. O fato de que a partir de Adão até Moisés todos morreram, prova que o pecado estava ali. Embora houvesse pecado naquele tempo, não havia a lei. Portanto, havia somente o pecado, mas não a transgressão. Que é transgressão? O pecado é real. Ele estava aqui no mundo, mas o homem não sabia que o pecado estava aqui até que a lei de Deus veio e mostrou-nos que havia pecado. Na verdade, já existia o pecado em nós. Já estávamos corrompidos, mas não sabíamos disso até que a lei veio, quando o pecado dentro de nós foi manifestado como transgressões.

A lei é como um termômetro. Uma pessoa pode já estar doente com febre. Mas se você diz a ele: “Amigo, sua aparência não parece muito boa; você tem febre”, ele pode não acreditar em você. Tudo o que você teria de fazer então seria pegar um termômetro e colocá-lo na sua boca. Após dois minutos você poderia mostrar-lhe definitivamente que ele tem febre. Nós já éramos pecaminosos; já tínhamos “febre”; mas não sabíamos disso. Assim Deus nos deu um padrão. Embora a lei possa não ser um padrão perfeito, é um padrão suficientemente elevado. Deus utiliza a lei para medir-nos. Pôr meio dela vemos que transgredimos. Uma vez que vejamos que transgredimos a lei, sabemos que pecamos. O pecado já estava dentro do homem; mas sem as transgressões, ele jamais teria confessado que tinha pecado. Foi somente depois de transgredir que ele confessou que realmente tinha pecado.

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