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O Ministério Pastoral e a política
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O Ministério Pastoral e a política
Luiz Fontes
Publicação: 21/09/2006
Quando desejamos encontrar resposta para essa questão da Igreja e a política, vejo, que a primeira coisa que precisamos entender, é sobre o reino de DEUS.

Quando desejamos encontrar resposta para essa questão da Igreja e a política, vejo, que a primeira coisa que precisamos entender, é sobre o reino de DEUS. O primeiro ponto que precisamos saber é que o reino de DEUS não é deste mundo; e esse reino não está entre nós com visível aparência, visto que está em nós. No Evangelho de Lucas o SENHOR JESUS disse: "... Porque o reino de DEUS está dentro de vós" – (Lc 17.21).

Sem uma visão clara do reino de DEUS hoje, nós não temos como entender claramente esse assunto. Vejo que a Igreja no presente momento, está confusa em relação a sua vocação. Ela não percebe a grandeza e a singularidade da sua identidade.

Nesse mar de espiritualidade confusa, a Igreja está equivocada quanto a sua posição celeste nesse mundo. Vemos isso mais nitidamente, quanto ao ministério cristão. Hoje muitos ministros estão envolvidos com as coisas desse mundo. Muitos estão engajados ativamente nas questões sociais desse mundo. Paulo escrevendo a Timóteo, em sua Segunda carta, diz: "Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou" – (2 Tm 2.4). Na verdade, não vejo nenhum problemas de estarmos envolvidos com as questões sociais desse mundo. O grande problema, é quando isso ocupa em nós o lugar do ministério. Podemos estar envolvidos, se esta for à vontade de DEUS. O problema é que esse tipo de causa muitas vezes, toma forma em nossa vida como ministério; como uma vocação espiritual, desviando-nos do propósito de DEUS. Na verdade, muitas pessoas possuem uma vocação para esse tipo de causa. E exercem com muita integridade.

Vejamos três aspectos daquilo que a Bíblia fala acerca do ministério cristão: Primeiro: O ministério cristão é para servir CRISTO a Igreja, e não se servir da Igreja. Segundo: O capítulo 4 de Efésios fala de "unidade" e "santidade". O governo espiritual na Igreja tem em vista a "unidade" e a "santidade" da Igreja. Se o ministério cristão não se esforça para preservar a "unidade do ESPÍRITO" e levar a Igreja a desfrutar a vida de CRISTO como santidade, ele está em total colisão contra a edificação do Corpo de CRISTO. Terceiro: O ministério cristão é o instrumento que DEUS usa para ministrar as doutrinas, isto é, tudo que nos ensina os capítulos 1 a 3 de Efésios, e por conseguinte, leva a Igreja a praticá-las. O ministério na vida do Corpo de CRISTO tem a finalidade de ensinar a doutrina e conduzir a Igreja à prática da doutrina.

Nesse artigo, quero me deter na questão do ministério cristão e a política. Por isso, a primeira coisa que precisamos entender é o significado do ministério cristão. Agora, Estritamente, quero me deter sobre o ministério "pastoral". Pastorear no sentido bíblico é uma incumbência divina. Não é um homem pastoreando pessoas com habilidades naturais e intelectuais, mas CRISTO o Supremo Pastor, ministrando Ele mesmo através de alguém que Ele chama - (Jo 10.10; Hb 13.20; 1 Pd 5.4).

Não há nenhum outro ministério cristão dado a Igreja que mais sofreu corrosão na sua identidade, como o ministério pastoral. Eugene Peterson, em seu Livro O Pastor Contemplativo, diz que o que tem tornado os pastores indefesos em relação ao ministério, é a aceitação distorcida que a cultura faz do pastor. Precisamos entender de uma vez por todas que Pastor não é alguém que tem um título pastoral, e sim, alguém que foi chamado e designado para ministrar CRISTO o Pastor, o bom Pastor e o supremo Pastor. É intrigante ver a maneira como vivem os pastores em nossa sociedade contemporânea. É profundamente triste ouvir o tom em que o termo pastor é pronunciado. Há uma grande diferença entre aquilo que vemos na Palavra de DEUS e aquilo que vemos em nossa cultura.

No uso geral no contexto em que vivemos, o uso do termo é fraco e se perde no ridículo do oportunismo entre aqueles que vêem no ministério pastoral unicamente um cabide de emprego. Infelizmente, o termo tem adquirido quase um sentido pejorativo. Na realidade contextual na qual vivemos, esse termo é usado para adular e expressar simpatia, e não o reconhecimento daquilo que CRISTO é, e está sendo ministrado. Se há uma palavra que muito bem pode dar característica ao ministério pastoral no contexto que vivemos é ocupação; mas no contexto bíblico é vocação.

O pastor é visto como um pobre coitado, desgastado, que não tem tempo. É incrível como os imaturos vêem nisso um sinônimo de espiritualidade e dedicação. Isso é ultrajante! Será que percebemos que alguém está tentando fazer a obra de DEUS por Ele. O segredo mais profundo do ministério de CRISTO era que Ele, permitiu que o Pai realizasse toda a obra por meio Dele. Ele não usurpou tomar o lugar de DEUS. Olhe o que o SENHOR JESUS disse: "... Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz" - (Jo 5.19). A ocupação é sinônimo de vaidade. Uma pessoa ocupada dá a idéia de que é importante e significativa. Em nosso evangelicalismo moderno, agenda lotada de compromissos dá significado, e evidencia a importância de uma pessoa. O stress estampado no rosto, trás a idéia de que alguém é importante. Ser importante alimenta a nossa vaidade. Como um pastor agitado pelos seus compromissos e estressado pela sua importância pode levar ovelhas indefesas e inseguras às águas tranqüilas?

Será que dentro dessa realidade contextual em que vivemos e ministramos, o pastor é caracterizado pela vida de piedade, oração, pelo profundo apego a Palavra de DEUS, por uma vida de intimidade com DEUS? O que mais ainda podemos ver como característica predominante no ministério pastoral em nossos dias? Além da ocupação, e importância, creio que há uma outra palavra que pode caracterizar o espírito desse tipo de ministério moderno, que é a busca pelo poder. O pior poder que existe na história da humanidade, não é o poder político ou econômico. O poder que mais tem escravizado as pessoas é o poder religioso. Muitos que se dizem conhecer a DEUS, são aqueles que se deixam corromper pelo poder. Uma das maiores tragédias que podemos ver na história da humanidade, é que, o poder mais pérfido, divisório e ofensivo que existe é o poder exercido na obra de DEUS por pessoas que não temem a DEUS. Por aqueles que dizem ter um chamado para servir. Quantas pessoas hoje foram estigmatizadas pela religião, ou mesmo por esse evangelicalismo moderno, presidido por uma liderança descomprometida com a vontade de DEUS. Vejam, quantos divórcios, separações, rejeições, fracassos; quantas pessoas estão hoje afastadas de DEUS, por terem sido abusadas por esse tipo de poder insidioso; por esse ministério antropocêntrico. As pessoas esperam sempre uma ministração de amor, por aqueles que estão na obra de DEUS, com o único propósito de servir DEUS aqueles que um dia viviam na escravidão das trevas do poder do pecado e do mundo.

O irmão Henri Nouwen, no seu livro O Caminho do Poder (Edições Paulinas), diz: "Nestes tempos de grande incerteza econômica e política, uma das maiores tentações é a de usar a fé como instrumento para exercer poder sobre os outros e, por conseguinte, suplantar o mandamento de DEUS com mandamentos humanos. Quando o poder é usado para proclamar a Boa Nova, a Boa Nova depressa torna-se uma Má Nova. E é isso que indigna DEUS"

O trabalho pastoral a luz do caráter da palavra é um trabalho que pouco notam, mas cujo lucro é o crescimento de cada pessoa. É um trabalho que constrói significado, propósito, amor, esperança e fé – em síntese, é o trabalho para a glória do Reino de DEUS. O termo Pastor é uma palavra que nos consola. É uma palavra que expressa a fidelidade dos cuidados de DEUS.

O ministério pastoral não visa corresponder às últimas pesquisas de marketing sobre a necessidade do consumidor religioso. Ser um servo de DEUS no serviço aos santos, não é ser um marqueteiro religioso, que troca a vocação santa do pastorado, por uma carreira promissora de um vendedor de produtos religiosos. Quando você olha para o Novo Testamento, você descobre que aqueles anciãos exerciam o ministério de joelhos; havia piedade no serviço aos santos.

Dentro do contexto evangélico hoje, vemos o velho catolicismo somado ao poder do mundo seduzindo a consciência cristã para a adesão à velha ordem do poder político, é que no caso dos pastores é mais que conveniente, pois lhes dá ocupação, importância e poder. Temos que compreender que a Igreja não precisa ser o sal e nem mesmo a luz nesse mundo político que estamos contemplando com muita consternação. De fato, a Igreja é o sal e a luz sem depender do lugar que ela está. Se desejamos ser "sal" e "luz", creio que o melhor lugar é na própria comunhão da Igreja cristã. Somente quando nossa comunhão for caracterizada pelo poder do "sal" e da "luz", é que o mundo vai crer que CRISTO JESUS é o SENHOR e Salvador.

Infelizmente, o que os evangélicos estão conseguindo provar na política é que são tão ou mais corrompidos que os demais. O que temos visto são: malandros, oportunistas que vêem na fé cristã um meio de conquistar seus interesses particulares. Esses falsos moralistas, não possuem ética, e nem mesmo uma boa consciência.

Na atual conjuntura política, vemos evangélicos em todas as instancias do poder, e a presença deles nada significou além de vergonha, despreparo, orgulho e incapacidade de se enxergarem e oferecerem um mínimo de lucidez a qualquer situação. O que vemos é um verdadeiro estado de insipidez. Quando olhamos para José no Egito, e Daniel na Babilônia, lugares onde um dia o povo de DEUS viveu como escravos, você nota o verdadeiro padrão de um cristão que almeja viver uma vida pública. Mesmo em uma situação de opróbrio, eles não se contaminaram pelo poder. Permaneceram na Palavra com integridade, e ainda sustentaram o testemunho da profecia. Creio que essas duas nações caracterizam o poder diabólico. Mesmo nesses lugares, DEUS levantou José e Daniel. Eles viveram num contexto político onde nunca deixaram se macular, ao contrário, sempre proclamaram o verdadeiro testemunho do caráter de DEUS.

Creio que nenhuma pessoa espiritualmente vocacionada pelo ministério se envolveria com a política. Jamais usaria o nome de DEUS, ou mesmo, a fé para se promoverem politicamente. Se alguém deseja pleitear um cargo político, deve fazer em seu próprio nome, e de sua própria consciência como indivíduo, e nunca em nome da Igreja do SENHOR JESUS. Fazer isto é ideologizar a DEUS e a Igreja do SENHOR JESUS, e o fim é sempre a ruína, a blasfêmia e a vergonha.

Para tristeza daqueles que desejam viver a vida cristã autêntica, o que esse tipo de gente vê na Igreja do SENHOR JESUS, é que ela é apenas um curral eleitoral, para esses oportunistas que usam o nome do ministério de CRISTO para se impor como lobos explorando a ingenuidade do rebanho de CRISTO.

Olhando para a situação espiritual da Igreja do SENHOR JESUS no presente momento, e vendo a corrupção, a apostasia, eu diria que a grande culpa vem do envolvimento da Igreja com a mais sórdida forma de fazer política. Além disso, eu atribuo uma outra grande parcela de culpa a caotização da fé das denominações neo-pentecostais, e de outros movimentos do mesmo ramo, e que se tornaram lojas de comercio da fé, e verdadeiros covis de salteadores, exploradores, e lobos vestidos de pele de ovelha, onde esse tipo liderança se disfarça de gerentes de lojas, que estão unicamente interessados em satisfazer o desejo de consumidores religiosos. Esse tipo de liderança só deseja o poder; são piores do que os incrédulos. Somando-se a isso um tipo de evangelho completamente distorcido dos valores espirituais onde se vê apóstolos da maldição hereditária, da confissão positiva, da neuro-lingüistica cristã, da teologia da prosperidade, na ênfase ao crescimento numérico da teologia da igreja com propósito, que busca o crescimento a qualquer preço, e ao espírito de marketing e empresariado que entrou na igreja e corrompeu a alma dos pastores-mercenários. Por isso, não há outro lugar que eles busquem viver mais harmoniosamente do que no mundo da política. Talvez essa seja a explicação mais adequada.

Quero que você entenda que eu não sou contra cristãos na política, porém sou veementemente contrário à utilização da Igreja do SENHOR JESUS para essa finalidade. O que está em torno da nossa realidade contextual hoje provoca um grande nojo. Precisamos estar possuídos de grande zelo pela obra do nosso SENHOR. Em Número capítulo 25 e os versículos 7 a 14, temos um episódio, onde Israel estava envolvido por uma situação de cilada, armada por Balaão e Baraque, quando um bando de prostitutas estavam diante dos filhos de Israel, oferecendo seus corpos. E a Bíblia diz que "Finéias"... levantou-se do meio da congregação, e, pegando uma lança, foi após o homem israelita até ao interior da tenda, e os atravessou, ao homem israelita e à mulher, a ambos pelo ventre; então, a praga cessou de sobre os filhos de Israel" - (vv. 7.8); esse homem que foi transpassado pela lança era um príncipe em Israel. Mas o SENHOR se agradou do zelo de "Finéias", porque ele desviou a ira do SENHOR – (v.11). Precisamos de homens e mulheres que tenham zelo pela obra do SENHOR. Precisamos pegar nossas lanças (a Palavra) e transpassar corações que estão desprezando o SENHOR, e vivem uma vida de engano. Transpassar aqueles que estão desprezando o mover de DEUS, e se envolveram com os negócios desse mundo, e ainda, permitiram que o mundo tomasse forma na Igreja do SENHOR JESUS.

Que DEUS pelo poder do Seu ESPÍRITO SANTO nos ajude a permanecer em Sua agradável vontade.

Luiz Fontes

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