Celebrando Deus

As Atividades de Deus Antes da Criação do Mundo

11 de junho de 2014
 “No Princípio Criou Deus … No Princípio era o Verbo”

Na Bíblia temos duas descrições de “princípio”; uma este em Gênesis 1.1 e a outra está em João 1.1. Esse princípio de Gênesis 1 é após o “princípio” de João 1.1. Vamos então, estudar especialmente o “princípio” de João 1.1.
João 1.1 – Mostra as atividades de Deus antes da fundação do mundo. Porém, não apenas a obra de Deus, mas a relação trinitária entre as benditas pessoas da Trindade.
Permita-me mostrar-lhes esse assunto através de Sete Proposições:

  • 1ª proposição – DEUS é espírito; é único em sentido eterno e absoluto; sendo a espiritualidade, a unidade e a eternidade essência do Seu ser.
  • 2ª proposição – DEUS é a suma da vida em sua expressão mais elevada e perfeita. Contudo, essa vida divina não é uma mera abstração, e sim, que Ele é ao mesmo tempo, a mais real de todas as realidades do ego que determina a Si mesmo uma Personalidade consciente e eterna, Fonte de toda idéia da personalidade.
  • 3ª proposição – DEUS é amor.
  • O amor é o elemento mais profundo do ser de DEUS.
  • O amor é a fonte onde emana eternamente Sua natureza, e a fonte criadora que dá existência a toda a Sua obra.
  • Este amor pressupõe uma relação trinitária; pois, se DEUS é amor, tem que haver Nele o Amante,  o Amado e o ESPÍRITO de amor.
  • 4ª proposição – DEUS é eterno.
  • Para Ele não existe limite de tempo, nem sucessão de “antes”, “agora” e nem “depois”.
  • Para Ele, o passado, o presente e o futuro ocorrem instantaneamente.
  • Ninguém é capaz de formar um conceito adequado da relação orgânica entre a “eternidade” e o “tempo”, pois estas coisas estão escondidas no pensamento total de DEUS.
  • 5ª proposição – DEUS é comunhão;
  • Antes da fundação do mundo havia a comunhão eterna entre DEUS  e Seu Filho.
  • Antes de haver qualquer obra criada, DEUS possuía a eternidade identificada com Seu Filho.
  • O Filho como Verbo era com DEUS eternamente presente com Ele numa interpenetração de íntima comunhão.
  • Precisamos ler três passagens na Bíblia para compreendermos esse assunto:
  • Pv 8.22,23: “O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra”. Se você lê o versículo 12 desse capítulo 8 de Provérbio, você vai compreender que é a “Sabedoria” quem está falando nesses versículos 22 e 23.
  • Jo 17.5: “… glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo”
  • Jo 17.24: “… me amaste antes da fundação do mundo”.
  • Para o Pai, o Filho como Verbo eterno, de Sabedoria – (Pv 8.22,23); eternamente amado – (Jo 17.24), e seu ser eternamente glorioso – (Jo 17.5), vivia na mais profunda relação eterna de amor com o Pai. Ele sempre foi, eternamente amado pelo Pai. Essa era a atividade suprema de DEUS-Pai antes de haver criado qualquer coisa no mundo físico ou espiritual.
  • 6ª proposição – Antes de lançar o fundamento do mundo, DEUS criou aos anjos e as estrelas. Veja no livro de , no capítulo 38 e os versículos 4 a 7, que diz: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular,  quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de DEUS? Ou quem encerrou o mar com portas, quando irrompeu da madre”. A expressão “filhos de DEUS” pode ser mais bem compreendida lendo Jó 1.6: “Num dia em que os filhos de DEUS vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles”. Está é uma referência aos anjos. Antes de lançar os fundamentos do mundo que conhecemos hoje, DEUS já havia criado as estrelas e os anjos.
  • 7ª proposição – A salvação do homem.
  • Antes da fundação do mundo DEUS em Si mesmo determinou um desejo de salvação com relação ao homem individual.
  • Antes de todas as coisas criadas, na eternidade passada, o Pai, o Filho e o ESPÍRITO em toda a existência mental e moral do pensamento e afeto, se moviam eternamente.
  • Vamos ilustrar isso com a Palavra de DEUS, lendo João 1.1, onde diz: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com DEUS, e o Verbo era DEUS”.
  • Quero que você note a frase “o Verbo estava com DEUS”, no grego essa frase é prov ton yeon. No original grego temos uma preposição que é pros, que significa: “para”, “em direção a”.
  • Quando os eruditos estudaram esse texto, analisaram essa preposição, e chegaram a seguinte conclusão: a idéia que tem é de um ser que se dirige ao objeto, sendo regulado em movimento até certo ponto pelo objeto.
  • O SENHOR JESUS nos falou sobre isso, quando disse em João 5.19: “… Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz”.
  • Os teólogos chamavam essa relação intima e pessoal entre o Pai e o Filho de pericorese. Essa é uma palavra grega que é formada por dois vocábulos: peri que significa: “em torno de”; e corese, que é “dança”. Então, pericorese significa “dançar em torno de”; “dançar em circulo”.
  • O que é mais impressionante, é que esta ação pericorética entre o Pai e o Filho é uma ação inclusiva, e não exclusiva, é uma ação de amor que não está fechada em si, mas é aberta a todos nós. Os teólogos latinos da idade média, no período escolástico, usaram uma palavra para esse relacionamento Trinitário, que é  “circunsessão”.
  • É interessante notar que o SENHOR JESUS disse três vezes “Eu estou no Pai, e o Pai está em mim” – (Jo 10.38; 14.10,11). Quando você estuda o capítulo 17 do Evangelho de João, vemos na oração sumo sacerdotal do SENHOR JESUS, a revelação do mistério da vida interior, e nestas profundezas misteriosas vemos que a obra da salvação foi preparada e realizada em segredo e em silêncio.

Precisamos ler uma sequência de textos para compreendermos melhor  como fomos incluídos nessa dança de eterna glória:

  • Ef 1.4-6: “assim como nos escolheu Nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de JESUS CRISTO, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado”.
  • 2 Tm 1.9: “que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em CRISTO JESUS, antes dos tempos eternos”.
  • Tt 1.1,2: “Paulo, servo de DEUS e apóstolo de JESUS CRISTO, para promover a fé que é dos eleitos de DEUS e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade, na esperança da vida eterna que o DEUS que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos”.
  • Ap  13.8: “e adora-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

Após estudarmos todas estas proposições, inevitavelmente, somos conduzidos ver a grandeza do caráter eterno de Deus e Sua magnifica obra dentro do contexto eterno. Contemplar a vida além do véu da eternidade constitui o maior privilégio para o conhecimento humano. Não há nada do ponto de vista do conhecimento que seja maior do que isso. Esse descortinar deve ser para nós, os filhos de Deus, motivo de adoração.

Que Deus vos abençoe.